Caso Varginha: 30 anos depois, ex-militar diz que inventou relato sobre ET após oferta de R$ 5 mil de ufólogo: 'História não aconteceu'
Um ex-militar do Exército revelou, após 30 anos, ser mentira o depoimento dado por ele nos anos 90 a um ufólogo sobre a atuação das forças armadas no transporte de uma criatura extraterrestre em Varginha (MG). Segundo o homem, que era soldado à época, o relato, usado para sustentar a narrativa do caso, foi inventado após uma oferta de R$ 5 mil feita pelo ufólogo a ele.
A entrevista foi exibida nesta quinta-feira (8), no último episódio da série documental "O Mistério de Varginha". Além da fala do ex-soldado, o especial mostrou também o relato de outro ex-militar que manteve a versão dada à época sobre a presença do ET em um hospital da cidade com monitoramento do Exército.
O episódio também reforça o testemunho das mulheres (civis) que, mesmo com impactos negativos na própria vida, sustentam com sinceridade e detalhes a história de que avistaram o alien em um terreno baldio do município.
Uma coprodução entre Estúdios Globo e EPTV, o especial é composto por três episódios exibidos nos dias 6, 7 e 8 de janeiro em todo o Brasil, logo após "O Auto da Compadecida 2". Eles revisitam um dos casos ufológicos mais conhecidos do mundo, que projetou a cidade mineira internacionalmente após relatos de encontros de moradores da cidade com criaturas extraterrestres.
Testemunhas oculares do caso ET de Varginha:
As três amigas que viram a criatura em um terreno baldio - mantêm a versão até hoje
O médico que contou ter presenciado atendimento médico ao ET - apresentou e mantém a versão atualmente
Três militares que contaram ter participado da captura e transporte do alien - dois desmentem a versão inicial e um mantém
Contradições das testemunhas militares
Nos anos 1990, depoimentos de bombeiros e militares do Exército ampliaram a repercussão do episódio, que até então se limitava ao relato de três meninas que disseram ter visto uma criatura estranha em janeiro de 1996. À época, o ufólogo Vitório Pacaccini afirmou que os relatos eram legítimos.
"Todas as informações estão embasadas em depoimentos de testemunhas autênticas. Portanto, ninguém aqui está inventando nada", disse na época.
Três militares deram depoimentos ao ufólogo responsável pelas primeiras investigações do caso: um bombeiro, que disse ter participado da captura da criatura; um cabo do Exército, que afirmou ter visto o suposto ET em um hospital; e um soldado que, à época, declarou ter atuado no transporte do ser de Varginha para Campinas.
O documentário ouviu os dois militares do Exército e obteve um áudio do bombeiro. Atualmente, tanto o bombeiro quanto o soldado afirmam que os relatos foram uma farsa, enquanto o cabo mantém a versão apresentada inicialmente.
Entenda a seguir o que cada um dizia no passado e diz atualmente:
Militar 1, o Bombeiro
Militar 2, o Cabo
Militar 3, o Soldado
Bombeiro voltou atrás em áudio de 2019
Uma das principais evidências divulgadas na época foi uma fita cassete com a voz de um militar do Corpo de Bombeiros afirmando que a criatura capturada “não era deste mundo”. O áudio foi tratado, por anos, como prova central da suposta captura.
"O Corpo de Bombeiros colocou dentro de uma caixa. Uma caixa de madeira coberta por um saco. Não é deste mundo. Não é", dizia a gravação da época.
Anos depois, em 2019, um dos principais ufólogos da nova geração, João Marcelo Marques Rios, localizou o autor da gravação, que viria a morrer 4 anos depois, em 2023.
"Ele estava em Três Corações e já estava na reserva. E ele, para nossa surpresa, para nosso espanto, disse que aquele áudio que gravou era um enredo. Ele foi persuadido e instruído a gravar o que está naquele áudio. Falou assim: 'Não houve nada, não aconteceu nada'. Aquela história foi toda inventada", disse o ufólogo João Marcelo.
Em áudio inédito, o militar negou a história e disse que foi orientado a gravar o depoimento.
"Manipulada, manipulação. Não teve nada. Para encurtar, não teve nada. Nada, foi tudo uma manipulação. Eu quero esquecer isso, eu quero acabar com essa manipulação".
"Acho que a pessoa hipnotiza você. Você fala isso, isso, você topa falar? De tanto que a pessoa vai 'papapá' na tua cabeça que você quer acabar com isso, tá? O que você quer que eu fale? Depois eu arrependi. Logo depois eu arrependi", disse o bombeiro militar na nova gravação.
O ufólogo Vitório Pacaccini afirmou à equipe da série documental "O Mistério de Varginha", que orientou militares a negarem os relatos, caso se sentissem inseguros.
“Um dos militares do Corpo de Bombeiros que deu informação contrária o fez por minha orientação. Eu disse: fiquem à vontade. Se, amanhã ou depois, os senhores ainda se sentirem inseguros para prestar qualquer depoimento e acharem melhor, para proteger vocês e suas famílias, fiquem à vontade para negar tudo. Eu não vou me sentir ofendido, nem traído”, disse Pacaccini.




















